terça-feira, novembro 17, 2009

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Vó,

Dê-se por feliz por não estar mais por aqui com uma idade tão avançada. Não ia ser legal. Não dá para viver direito com tantos anos nas costas. Fique quietinha por aí que é bem melhor.

Além do mais, a senhora não imagina o calor horroroso que fez hoje aqui em Santos. Todos os velhinhos da cidade estão batendo pino com esse bafo quente. Judiação...


Segue uma foto de dois ou três anos atrás -- que eu bati, motivo pelo qual não estou nela -- da família reunida em São Paulo no aniversário da Julinha -- que a senhora não conheceu, mas deve saber quem é.

Claro que tem um monte de fotos de família melhores e mais recentes, mas gosto particularmente do astral desta.


Segue também essa outra, tirada poucos meses atrás, minha com a Inês, que, por sinal, faz aniversário também no dia 18 de Novembro, e tem o mesmo gênio desgraçado de escorpiana, adivinha de quem?

Entendeu agora porque eu sinto menos a sua falta do que o Fábio, a Thaís, o Fabrício ou a Anabé? Não adianta dizer que não foi praga sua, que eu sei que foi...


Bom... Feliz aniversário, Candinha.

Já já a gente comemora seu centenário de nascimento em grande estilo.

É logo logo.

Até lá, cuide-se bem, ponha um casaquinho que aí deve ser meio frio... e juízo, viu?

Um beijo,

Chiquinho

PS: Mande um abraço para o Tio Júlio, e outro para o Manoel Maneco...

sexta-feira, agosto 25, 2006

Um sonho curioso


Sonhei com a Candinha hoje.

Cheguei em casa na hora do almoço, comi alguma coisa ligeira e deitei para tirar uma pestana regulamentar até as 2 da tarde.

Então, tocou a campainha e eu fui atender. Era a Candinha, com uma mala na mão, que eu teria esquecido em algum lugar e ela veio me trazer. Sentou para conversar comigo, falamos de um monte de coisas -- como se tivéssemos nos encontrado há pouco tempo, eram todos assuntos recentes --, ela disse que estava indo até a casa da Tia Lídia, e que depois iria até a Tia Maria. Disse a ela que a Tia Maria iria gostar de revê-la, pois a vida dela mudou muito desde a morte do Tio Júlio, e ela concordou. Seguiu por aí. Foi uma conversa como tantas outras que tivemos. Nada demais, nada carregado de emoção, tudo muito objetivo e determinado, mas bastante confortante.

Quando acordei, saí procurando por ela pela casa, e só então caiu a ficha de que tinha sonhado. Foi um sonho tão claro e tão pé-no-chão que em momento algum me passou pela cabeça o fato dela já não estar mais por aqui há quase 6 anos.
Um detalhe curioso. Semana passada, minha chave quebrou na fechadura da porta que dá para a sala daqui do apartamento. É uma fechadura antiga, com uma chave longa, que eu já tentei duplicar várias vezes e nunca consegui, pois o padrão daquela chave não é mais adotado por nenhum chaveiro que eu conheça. Eu sabia que no dia em que aquela chave quebrasse, eu fatalmente teria que trocar o miolo da fechadura. E vou fazer isso agora, na próxima semana, depois de receber. Mas, por conta disso, fiquei esses dias todos entrando e saindo de casa pela porta da cozinha. Que não abre por completo, pois esbarra na geladeira. E que, em circunstâncias normais, eu nunca uso.

Pois eu recebi a Candinha aqui em casa justamente pela porta da cozinha. (Chiquinho)

sábado, agosto 19, 2006

Órfãos da Candinha 2

Esses dias de agosto nascem diferentes do resto do ano. Trazem um certo peso, logo pela manhã, um pensamento recorrente : "faltam poucos dias..." Até que o dia chega e te obriga a parar e fazer o balanço dos últimos seis anos. Tudo o que você viveu nos últimos tempos e não pôde compartilhar com a Candinha e todas as lembranças do carinho dela por todos nós. É muita saudade... Hoje resolvi prestar um homenagem silenciosa: fiz um quibe! E mando a receita - original, é claro. Se não é possível matar as saudades, se a tristeza pela falta que ela faz é inevitável, que a gente pelo menos possa perpetuar sua arte.

Quibe Assado

1/2 kg de patinho magro moído
250 g de trigo para quibe
1 cebola
1 pimentão
sal
azeite
limão
1/2 tablete de margarina

Deixe o trigo de molho até crescer ( mais ou menos meia hora). Coloque a carne num recipiente fundo. Pique a cebola e o pimentão bem miudinho, ou então bata no liquidificador ou processador, sem água (no caso de ter alguém que não tolera cebola). Acrescente o sal, o limão e o azeite. Esprema o trigo para escorrer a água e vá amassando com a carne, incorporando bem os ingredientes. Colque numa assadeira, faça marcações em losangos na superfície, ponha pedacinhos de manteiga por cima e leve para assar coberto com papel alumínio em forno quente pré-aquecido, por 15 minutos e depois descubra para dourar. ( Thaïs)

sexta-feira, agosto 18, 2006

Órfãos da Candinha

Candinha,
A gente continua por aqui, seguindo o seu exemplo, cuidando de tudo o que você plantou e sentindo muita saudade.

terça-feira, maio 30, 2006

Os anos de casamento



Candinha e família, em 1950



Candinha se casou com Gaspar em 1930, na catedral de Santos. Ela tinha 18 anos. Ele, 20. O primeiro ano de casamento foi de rara intimidade. Os dois foram morar numa casa alugada, em parceria com outro casal amigo, Lindolfo e Eulália – que se tornariam contraparentes. A irmã de Eulália, Tereza, se casaria com Maneco, irmão de Candinha. A filha mais velha de Eulália, Norma, seria noiva de Vivaldo, o filho mais velho de Candinha (a história do noivado desfeito rende uma história que não cabe aqui). Um casal ficava na parte de cima da casa, o outro na parte inferior.
Mas o pai de Candinha, o garçom lusitano Chico Simões, não sossegou enquanto não convenceu o jovem casal a ir morar em sua casa, no bairro do Campo Grande, em Santos (a casa está de pé até hoje, mas tinha tantos anexos foi dividida em duas). Mais tarde, o irmão mais novo de Candinha, Júlio, também se casaria com a bela Maria Sâmia, filha de sírios, e constituiria família na casa, que chegou a agregar umas doze pessoas de três gerações vivendo num labirinto de puxados.
Na casa cheia de gente, Candinha assumiu o fogão. Comia-se bacalhau duas vezes por semana, e o trivial nos outros dias. O cardápio foi enriquecido por contribuições sírias, como quibes, esfihas, tabules, trazidos por Maria Sâmia, e da cozinha brasileira. A mãe de Gaspar, Rosa Eufrázia do Amaral, descendia de caiçaras e comia com as mãos.
Candinha perdeu a primeira filha, que morreu num parto complicadíssimo. Vivaldo nasceu em 1933. Valdívia, minha mãe, em 1938. Gaspar ganhava bem. Trabalhava como vendedor da Texaco. Tinha um padrão de vida bem acima da média – nos anos 1940, tinha até automóvel. O casamento era à moda antiga: Candinha ficava em casa cuidando dos filhos, Gaspar assumia o papel de provedor. Era um farrista. Há fotos dele com amigos, todos vestidos de mulher, brincando o Carnaval, e se conta que às vezes saía à noite para dançar e só aparecia de manhã. Candinha passava seu terno risca de giz para ele sair à noite e ficava em casa, esperando-o aparecer.
Era submissa, mas até certo ponto. Depois do casamento, parou de trabalhar como costureira por imposição do marido. Pois quando ele chegava alto em casa, ela aproveitava para raspar sua carteira e reforçar suas economias. Quando Gaspar acordava e perguntava do dinheiro sumido, levava uma descompostura: “Empresta dinheiro para todo mundo e depois nem lembra”. Gaspar se calava. Mão aberta, ele costumava, de fato, financiar os conhecidos e às vezes registrava as pequenas dívidas em papéis que levava no bolso. Quando ele morreu, isso Candinha não esqueceu, ninguém procurou a viúva para saldar nenhum papagaio.
Gaspar morreu em agosto de 1950, vítima de um enfarte fulminante nos braços de Candinha, poucos dias depois de testemunhar, no Maracanã, a derrota do Brasil na final da Copa de 1950. Pândego e glutão, era fã incontrolável da comida de sua mulher – embora não dispensasse uma boa cerveja e uma lingüicinha no boteco da esquina. Pouco antes de morrer, sentiu-se mal e foi ao médico, que recomendou dieta severa. Disse, obviamente sem se dar conta da gravidade do problema, que preferia morrer a privar-se da boa comida.
Candinha fechou-se em luto por alguns anos. Nos primeiros tempos, quase enlouqueceu. Ia ao cemitério todos os finais de semana. Tinha acessos de choro repentinos. Quando se aproximava a hora em que Gaspar chegava para o almoço, ela se deparava preparando a comida para ele, como se estivesse vivo, e caía em desespero. Sempre que se aproximava o mês de agosto, mesmo após muitos anos de viuvez, revivia na memória sua Via Crúcis particular. Não comentava com ninguém, só dizia que não gostava de agosto, que torcia para o mês passar logo.
Candinha nunca mais se casou nem arrumou um namorado. Dizia que não via sentido em colocar outro homem em casa, com dois filhos adolescentes para criar. Embora permanecesse fiel à memória do marido (ela morreria em agosto de 2000, aos 88 anos de idade e 50 anos de viuvez), guardava uma mágoa e soltava um de seus bordões quando se lembrava dele. “Perdoar eu perdôo, mas não esqueço”. Tudo por causa de uma escapadela do marido, da qual ela só tomou conhecimento alguns anos depois de sua morte. Certa vez, uma moça incauta apareceu na rua onde a família morava procurando por um certo Gaspar. Dizia ser sua noiva. Foi escorraçada por um vizinho. Candinha gostava de se fazer de durona, mas, um dia, contou que, como uma Dona Flor de Jorge Amado, sentia a presença do marido morto, a seu lado, todas as noites. (Fabrício)

domingo, maio 14, 2006

atendendo a pedidos...

O Fábio pede desculpas por não poder postar mensagens neste blog, pois só consegue acessá-lo do trabalho e o pouco tempo que tem só dá para ler os comentários. Na minha última ida a Brasília, pediu que eu acrescentasse mais uma da Candinha: os ovos estalados. Durante muito tempo ele leu "ovos estrelados" em cardápios e pensou que estava escrito errado.
Vó, um beijo cheio de saudades pelo dia das mães, prá você que foi duplamente mãe de todos nós. Se você ainda estivesse por aqui, eu teria te ligado às seis da manhã para ser a primeira a dar os parabéns... (Thais)

quarta-feira, abril 19, 2006

A adolescência da Candinha


Quando completou treze anos, Candinha foi trabalhar em um ateliê de alta costura.

O ateliê atendia à alta sociedade, pela porta da frente, e ao baixo meretrício, pela porta dos fundos. Candinha contava que era a costureira preferida de uma prostituta famosa, que sempre a escolhia para fazer os ajustes dos vestidos e lhe dava boas gorjetas. Também confeccionou lindos vestidos de noiva, que nunca seriam usados, porque as mocinhas que os encomendavam eram prostitutas que não queriam desgostar suas famílias no interior e justificavam a permanência em Santos com retratos de um casamento falso. As conversas maliciosas que ouvia durante as provas a chocavam, mas ela achava graça e ria das estórias. Escutava e aprendia muitas coisas; algumas boas, outras nem tanto: nesta época, incomodada com o calor do verão santista e com as manchas amarelas que o leite de colônia deixava em suas blusas, ouviu de uma cliente uma dica preciosa: passar limão assado debaixo dos braços. Ela passou, ainda quente, ficou com duas grandes bolhas nas axilas durante um mês, nunca mais precisou de desodorante e criou um método revolucionário de depilação definitiva.

A educação era rígida e cheia de regras. Vaidades e luxos eram tidos como liberdades e prontamente reprimidos. Candinha contava que, apesar de trabalhar com alta costura, tinha um guarda-roupa bem restrito, composto por peças simples que ela mesma confeccionava. Ela ganhava os cortes de tecido no seu aniversário: cambraia para blusinhas novas, alguns cortes de tecido mais encorpado para as peças mais importantes. Além disso, ganhava um par de sapatos novos. As peças novas ganhavam status de "roupa de sair", as do ano anterior iam para o dia-a-dia e as mais antigas eram usadas dentro de casa. Tudo muito discreto, para não chamar a atenção. Aos quinze anos, Candinha queria cortar o cabelo curto, a la garçonne, mas seu pai não permitiu. O jeito foi cortar uma franja para imitar o estilo e prender a parte longa com um coque na nuca. Uma vez, entrou em casa sob a mão pesada do seu pai, porque estava rindo na porta, na época em que correu a notícia de que uma moça da vizinhança tinha dado um "mau passo".

A "costura", como ela chamava seu emprego, também ajudou o início do namoro com Gaspar. Na verdade, nos primeiros anos, namorar significava corresponder a um aceno que ele lhe dava, quando ficava "casualmente" na porta de casa no horário em que ela passava, indo ou voltando da costura. Alguns anos depois, Gaspar foi autorizado a acompanhá-la no trajeto. Noivos, podiam ir ao cinema... com a família inteira acompanhando, é claro.

Quando saiu de lá para se casar, aos dezoito anos, tinha aprendido tudo sobre tecidos, cortes, viés, plissés, pregas, godés, casinhas de abelha e outras artes de agulha. Com muita competência, completou o guarda-roupa da família durante décadas.(Thaïs)

quarta-feira, abril 12, 2006

A infância de Candinha




Adelaide, com Júlio no colo, Maneco, Lidia e Candinha














Candinha não era de falar muito de sua infância. Me lembro de ouvir algumas poucas histórias, como a do cachorro Tejo que lhe fazia companhia quando ela era pequeninha e ficava num cercado de madeira enquanto os pais trabalhavam. Segundo dizia, era comum que o cachorro avançasse na comida que davam a ela. Conta a lenda que ele adorava batatas com azeite. Nem todas as histórias eram engraçadas. Primeira filha do casal de imigrantes portugueses Francisco Simões, garçom, e Adelaide da Conceição, dona-de-casa, cursava o terceiro ano primário quando foi tirada da Escola Barnabé, em Santos, para ajudar a cuidar dos três irmãos mais novos. Sabia ler, escrever e fazer as contas – e isso já era muito para uma menina do final da década de 1910. Todos os irmãos tiveram a chance de estudar mais do que ela. Mais de cinquenta anos depois de encerrar sua vida escolar, ela ainda mostrava tristeza quando lembrava do trauma de sair forçada do colégio. Mas exorcizava a amargura ajudando os netos a fazer a lição de casa. Outra lembrança triste era a da gripe espanhola, que em 1918 levou seu pai para um hospital de isolamento em Santos, acho que a Beneficência Portuguesa – ele se salvou – mas matou sua irmã mais nova, Giselda, um bebê. Um outro caso que Candinha contava dava conta da severidade da educação portuguesa. Seu irmão Maneco uma vez ousou desafiar uma ordem da mãe desfiando o que devia ser um bordão da época: “Diz isso cantando, borboleta”. Ele nunca se esqueceu do tapa na boca que levou. (Fabrício)

domingo, abril 09, 2006

Receita da Candinha #13 - Esfihas de Kafta


Massa:
4 xícaras de farinha de trigo
15 g de fermento biológico
1 xícara de leite morno
1/2 xícara de óleo de canola
1 colher de chá de açúcar
2 colheres de chá de sal

Recheio
500 g de carne moída
1 cebola grande
2 tomates graúdos sem sementes
2 colheres de sopa de suco de limão
Zattar a gosto (Candinha não usava)
Sal e azeite a gosto

Modo de Preparo:
Coloque o fermento em uma tigela.
Acrescente o açúcar e dissolva o fermento.
Acrescente o leite morno e misture bem.
Peneire a farinha e o sal em outra tigela.
Misture o óleo à mistura de fermento e leite, e despeje lentamente sobre a mistura de farinha.
Amasse bem, até obter uma massa bem lisa -- se necessário, acrescente mais um pouco de farinha.
A massa deve ficar bem macia, não pode ficar pegajosa.
Cubra a massa com um pano úmido e colocar para fermentar por cerca de 40 minutos em local morno.
A massa vai dobrar de volume ao longo desse período.

Após a massa crescer bem, amasse-a novamente por cerca de 2 minutos e divida-a no formato de bolas de ping pong.
O rendimento aproximado é de cerca de 30 unidades.
Coloque-as em uma assadeira levemente untada, e deixe descansar.

(A Candinha costumava usar como termômetro uma bolinha da massa, que ela jogava dentro de um copo d'água -- quando a bolinha subisse para a superfície do copo, era sinal de que a massa estava pronta para ser assada.)

Para o recheio, pique finamente a cebola e o tomate, e misture à carne moída.
Acrescente o suco de limão, o zattar, e o azeite, e deixe curtir por alguns minutos.
Por último, acrescente o sal, sempre com muito cuidado
Aqueça o forno em temperatura máxima.
Prepare com a massa discos de cerca de 8 cm, deixando as bordas mais grossas.
Os discos das esfihas devem ser abertos à mão, e cobertos com bifinhos de kafta bem pensados, feitos com o recheio de carne já curtida nos temperos.
Leve ao forno e asse até as esfihas ficarem levemente douradas,

Sirva imediatamente, acompanhado de folhas de alface, além de rabanetes e pepinos fatiados bem fininhos.
Ou então sirva com coalhada seca.
Ou então, sirva tudo junto, que é ótimo.

PS1: O Zattar é o tempero sírio-libanês já encontrado pronto. É fácil de achar em casas típicas. Caso não encontre prepare uma mistura com canela em pó, pimenta-do-reino branca em pó, gengibre em pó, noz moscada ralada e pimenta da Jamaica ralada que você chega lá.

PS2: Este é mais um ítem do livro de receitas da "Maria Maravilhosa" que a Candinha incorporou ao seu repertório. Como a Candinha temperava menos sua comida que a Tia Maria, suas esfihas ficavam mais leves. Mas tanto as dela quanto as da Tia Maria são deliciosas. Cada uma à sua maneira. (Chiquinho)

Receita da Candinha #12 - Quibe de Forno


Ingredientes:
500 gramas de trigo para quibe
1 kg de carne moída 2 vezes
10 ramos de hortelã bem picados
2 cabolas grandes bem picadas
3 ou 4 limões
3 ou 4 colheres de chá de zattar (Candinha não usava)
Sal, azeite e manteiga a gosto

Recheio:
100 gramas de castanhas do pará bem picadas (Candinha não usava)
100 gramas de passas (Candinha não usava)
2 cabolas grandes bem picadas

Preparo:
Na véspera, deixe o trigo de molho em 2 litros de água.

No dia seguinte, coloque a carne para descansar no suco de 3 ou 4 limões.
Em seguida, filtre a água onde o trigo descansou com a ajuda de um pano de prato.

Então, misture a carne moída ao trigo usando as mãos, até que a carne e o trigo se misturem por completo.
Acrescente o azeite, as duas cebolas picadas, a hortelã, e o zattar durante o processo de mistura.
Por último, acrescente o sal, com muito cuidado, e misturando bastante.

Se tiver um moedor de carne em casa, pode dispensar esse procedimento colocando a carne, o trigo e os outros ingredientes para moer juntos.

Arrume numa forma refratária, besunte com azeite e forme uma primeira camada de quibe.
Prepare o recheio do quibe com as outras 2 cebolas picadas, as passas e as castanhas do pará.
Cubra com a segunda camada do quibe, e, por último, doure distribuindo pedacinhos de manteiga por cima.

Leve para assar em forno quente por cerca de 30 minutos.
Sirva com folhas de alface, e pepinos e rabanetes cortados bem finos.
Ou então, sirva acompanhado de tabule.

PS: Candinha aprendeu a fazer uns poucos pratos libaneses com a Tia Maria, que é craque absoluta nessa categoria de culinária. Como não gostava de usar zattar -- achava muito ardido --, seus pratos libaneses não tinham exatamente um sabor libanês. Eram mais uma variação bem caseira e simplificada das receitas da Tia Maria. Mas, apesar do sabor muito suave, eram bem saborosos. Como eu sempre gosto de temperar bem quando preparo esse quibe, à moda da Tia Maria, não sei mais como chegar àquele sabor suave que a Candinha praticava. Mas lembro dele com saudades. (Chiquinho)